• Pietro Ricardo

Californication


Ao dormir, finalmente acordo

Com som do motor de um Porsche conversível de velocímetro surrealista,

Ray-Ban escuros de madrugada,

Jaqueta Perfecto mais preta que olhos fechados

Suja de cinzas de um Marlboro infinito ao vento

Parada final, auto destruição de J. Pollock,

Da prerrogativa de uma mente inconsciente em potencial


Ao meu lado, a materialização corporal da liberdade

Imortalizada em uma saia de borracha curta e apertada

De batom vermelho escarlate e decote rasgado a mão

Natasha, Arabella e Roxanne

Corporificada por uma nódoa de cigarro transviado com aroma de perfume barato

Contra a família, país e cidadão de bem

Contra tudo e todos

Ela é minha e somente minha, a musa desse verão inacabável,

Nossa estrada é pavimentada com uma inocência comprada


Abro a porta de um motel de só um cômodo,

Símbolo da minha rebelião em estagnação

Faço uma bebida, ascendo um cigarro, apago a luz

E no opaco do vácuo do meu quarto, ilumino seu corpo com o imaginário incinerado

Com olhos somente em mim, ela tira a roupa devagar,

Me chupa, do pescoço ao pau,

Com uma sensualidade que faria Helena de Troia chorar

Em minha cama de casal, fadado e fantasiado, nesse momento primitivo, quase amoral de libertinagem

Não existe o conceito de (amor)alidade

Então não transamos, fodemos de forma pornográfica,

Quebrando todas as leis de Newton, a física refutada,

Como gladiadores, além da brutalidade não há nada

Até o último homem de pé

E após essa batalha de dois corpos enquanto o meu de fato dorme,

Eu sou o último e o único,

O menino que não sabe o que é um homem


Me iludo enquanto durmo, sonhando e sem rumo,

Celebrando a vida no velório da reflexão

Aqui eu sou o cara,

Sonhando o consumo e acordando sem autorreflexões

Tenho tudo que quero ter

Sou tudo que quero ser,

Arctic Monkeys sensual lyrics,

Bukowski’s depraved poems,

Victoria’s dirtiest Secret,


O diabo de sorriso carismático

O sonho adolescente.

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