Manifesto

Escrever é comprometer-se. A história de toda a escrita até nossos dias é a história da luta de classificações.  Os escritores que não repararem nisso são justamente os que não precisam se comprometer.

Os literalistas recusam-se a dissimular as suas concepções e os seus propósitos. Proclamam abertamente que seus objetivos só podem ser atingidos por meio da derrubada violenta de toda a ordem estética vigente. A radicalidade linguística da literatura é o que fundamenta nossa estética.

O literalismo compreende a natureza social da produção da arte. A escrita não é um sistema, mas uma comunidade em que qualquer um deveria poder ingressar. É a escrita que nos une, socialmente, economicamente e filosoficamente. Só que, se todo o propósito do mundo for um livro, o livro não faz valer o mundo. A arte, se existe, é porque o mundo não basta. A escrita não expressa realidade alguma, mas sim a constrói. 

O literalismo é absolutamente contra as tendências editoriais e mercadológicas que reduzem o livro a um fetiche decorativo. O literalismo reivindica-se como herdeiro legítimo do real-visceralismo e reafirma a radicalidade da escrita como um modo de vida. Ode à crônica e ao seu rotineiro automatismo, ode à crítica e a sua infindável prolixidade. 

O segredo sobre a verdade é que não existem fatos, apenas histórias. A literatura não é um sistema, mas uma comunidade. O literalismo subscreve-se a essa premissa, em toda a sua literalidade, e convida a qualquer escritor a escrever seu próprio manifesto literalista.