• Leonardo

Há quem diga que notas aromáticas e gustativas são pura balela. O que é compreensível, afinal, quando vemos um sujeito, todo engomadinho, dar uma bela fungada numa taça borgonha, que tem quase o tamanho da sua própria cabeça, e, logo em seguida, recitar o nome de quase todas as frutas que compõe um pomar, três ou quatro variedades de cogumelos, passando por coisas mais excêntricas como "chão de bosque" e "suor de cavalo", é difícil não pensar que ele está tirando uma com nossa cara — e, pra ser honesto, não dá pra dizer com toda certeza que, algumas vezes, não esteja mesmo. A verdade é que, até onde me consta, há sim alguns critérios minimamente objetivos e técnicos para demonstrar e explicar a existência dessas tais notas. De um modo bastante resumido, estão presentes no vinho (e, mutatis mutandis, em diversas bebidas) uma série de compostos que podem ser provenientes da uva, do processo de vinificação ou do processo de envelhecimento — a isso é que se denomina, respectivamente, aromas primários, secundários e terciários. E são justamente esses compostos que nos remetem à aromas já conhecidos, como, dentre outras coisas, frutas vermelhas, pães ou baunilha. Pra tornar a coisa um pouco mais concreta, pode-se dizer, por exemplo, que um Pinot Noir jovem, quase sempre, vai apresentar notas de frutas vermelhas frescas, como morangos e cerejas. Um Tannat barricado, por outro lado, pode apresentar aromas rústicos, típicos do envelhecimento, como tabaco e couro. Agora, se você vai querer descrever esses aromas como sendo a salada de frutas que você levava pro jardim de infância ou como o cheiro do banco do Opala 74 do seu avô, aí já depende inteiramente de você e de sua verve poética. Mas isso é um papo pra outro dia e, de preferência, a ser tratado por alguém que entenda mais do assunto que eu.


O ponto em que eu queria chegar, com essa longa e prolixa introdução, diz respeito ao fato de que, frequentemente, e, mais uma vez, justificadamente, o mundo do vinho e seus aficionados pode soar pedante e intimidador àqueles que ousam lhe dar uma primeira olhada – não à toa os integrantes são, por vezes, chamados de wine snobs ou enochatos.


De todo modo, e a despeito do esforço constante de parte dessa comunidade em manter o espaço ainda mais elitizado e assustador, há ainda quem se interesse por esse universo, contrariando qualquer lógica e bom senso, e acabe por tentar olhar a coisa toda um pouco mais de perto. Acredito que esse movimento, contraintuitivo, aconteça por duas razões distintas. A primeira, um pouco mais óbvia, se relaciona principalmente com o desejo de fazer parte, ele mesmo, desse meio elitizado – uma tentativa de tomar para si o marcador social que foi feito da bebida. A segunda, me parece ter que ver com a mais pura curiosidade, um desejo genuíno de compreender de que é feito aquele mundo que parece ter o potencial de oferecer tamanha dose de serotonina a alguns. Um tipo de desejo que acomete, principalmente, aqueles já com certa predisposição a se tornarem verdadeiros adictos por qualquer hobby que envolva uma série complexa de regras, variáveis e equipamentos — não à toa, aparece associado, também, a obsessão pela gastronomia, pelo universo de outras bebidas, e outras ficções.


É justamente esse segundo grupo que me interessa mais.





No fim de 2019 fui apresentado a Bianca Bosker e seu “Cork Dork: a wine-fueled adventure among the obsessive sommeliers, big bottle hunters, and rogue scientists who taught me to live for taste” — uma espécie de guia pervertido à enofilia, ou, pelo menos, foi o que me pareceu na época. No entanto, foi apenas em março do ano seguinte, na primeira semana do ano um da peste, que decidi acatar a recomendação e aceitar a companhia de Bianca para uma taça de vinho.


A verdade é que com as aulas da universidade suspensas e, bem, com a vida como um todo em suspensão, minha cabeça já começava a apresentar os primeiros sinais de esgotamento. Num misto de angustia e tédio, decidi que seria uma boa ideia beber todos dias – afinal, o que mais se pode querer fazer diante da possibilidade do fim dos tempos? E antes de me aventurar pelos destilados e o mundo da coquetelaria, resolvi, por bem, caminhar pelas já conhecidas terras vínicas – e que companhia poderia ser melhor do que a de alguém que, não obstante fosse um mero civil na arte de esvaziar taças, era também um completo obcecado por coisas do gênero?


Então, numa terça ou quarta-feira, pouco depois das 18h ou pouco antes das 22h, peguei um cristal bordeaux de uma marca genérica, recém chegado de um pedido feito pela internet e devidamente higienizado com álcool 70°, que é o que se imaginava que deveria ser feito à época, servi uma boa quantidade de um vinho que já nem lembro qual, me sentei, analisei, primeiro com os olhos, depois, levei-a ao nariz e, após uma longa inspirada, iniciei a leitura.


Nas horas que se seguiram eu pude conhecer Bianca um pouco melhor. Soube que era uma jornalista e que costumava cobrir tecnologia, antes de ser completamente sugada para o mundo da enofilia. Ela menciona, logo na introdução, que conhecia vinho tanto quanto conhecia de física quântica ou teatro de marionetes tibetano – se contentava em sorrir e assentir com a cabeça sempre que alguém começava a tratar do assunto. O ponto de virada teria vindo quando, acompanhando o marido em um jantar de negócios, ouviu, meio de passagem, o sommelier do lugar mencionar que estava se preparando para a competição de melhor sommelier do mundo. “O quê? A ideia me soou ridícula. Como podia existir um campeonato de servir vinho?” e, horas depois, lá estava ela, completamente absorta diante da tela do computador, onde assistia à tal competição, quando, então, lhe veio a epifania vinícola, como nomeou.


Eu não sei quando ou como exatamente essa mesma epifania me ocorreu, mas a verdade é que eu havia investido a tarde inteira de um domingo do último verão assistindo as quase cinco horas da final do World’s Best Sommelier. Bianca, então, me parecia tão estranha quanto eu, muito embora a sua obsessão, talvez alguns níveis acima da minha, a levaria a uma jornada de dezoito meses de um profundo mergulho no universo de bebidas fermentadas de uva. O objetivo, claro e pretensioso, obter a certificação de sommelier pela Court of Master Sommelier – o primeiro título possível de uma das mais respeitadas instituições do mundo.


Sei que a premissa não soa exatamente original. Aliás, se você já é um iniciado, provavelmente a essa altura já deve ter pensado no famoso documentário Somm: into the bottle – em que acompanhamos um grupo de rapazes que estão se preparando para o exame de Master Sommelier, o último título possível conferido pela corte. No entanto, a diferença fundamental e, ao meu ver, um dos grandes méritos dessa história em relação a outras, reside justamente em dois pontos que acabo de elencar: a perspectiva de um amador e, ao mesmo tempo, a de uma mulher.


Mérito da escritora também, claro, que com sua prosa extremamente fluída, é capaz de fazer observações bastante espirituosas e manter um ritmo excelente num texto recheado de boas piadas e vulgarizações filosóficas, abordando uma boa quantidade de informações e questões técnicas de forma leve, mas nunca rasa demais, e que crescem junto de sua jornada.


No entanto, como eu dizia, me parece que boa parte da força de sua narrativa vem do fato de se tratar do ponto de vista de um amador – uma espécie de corpo estranho que se insere num determinado espaço, que não o seu, e torna possível a manifestação de observações e preocupações que, se por um lado podem parecer igualmente fora de lugar, por outro, nos soa estranhamente familiar e satisfatório. Ao mesmo tempo, lida com questões delicadas, como assédio, e dificuldades impostas que, fosse outro o caso, não existiriam da mesma maneira.


Para além disso, me parece haver mérito, ainda, no fato de que o livro não cede completamente ao tom de matéria da Vice, ou coisa do tipo, em que se tenta construir uma ideia artificial de dificuldades impostas à alguém de classe média alta que decide largar tudo em nome de seus gostos e interesses excêntricos – muito embora ainda possa sofrer tais acusações, imagino. A mim, no entanto, me pareceu que a autora é bastante consciente de sua posição privilegiada e de que o fato de fazer parte de um determinado meio socioeconômico não apenas tornou possível que pudesse largar seu emprego como jornalista executiva, mas também facilitou boa parte do trajeto e estudos. Aliás, se isso não fica suficientemente claro no início da obra, me parece ser bastante explicitado em um determinado capítulo, que não por acaso se tornou um dos meus favoritos, em que Bianca conhece Annie – uma mulher de trinta e poucos anos que, se me lembro bem, morava em um desses trailer parks norte americanos e para quem a epifania vinícola havia sido a possibilidade de ganhar um pouco mais de dinheiro do que como mera garçonete.


Annie já havia trabalhado em uma espécie de resort, onde entrou em contato com as primeiras garrafas de grandes vinhos e, mesmo sem entender como poderiam custar tantos dólares, soube que poderia ganhar uma boa comissão caso fosse capaz de vendê-las aos clientes do lugar. Agora, no entanto, trabalhava num bar bem menos luxuoso e, frustrada por não poder servir “vinhos de verdade”, prestaria o exame da corte pela segunda vez, mesmo sabendo que a taxa de inscrição lhe consumia boa parte do salário do mês e que, na prova oral, precisaria falar de descritores aromáticos de vinhos que nunca havia provado, apenas lido. O distintivo, que para Bianca e boa parte das pessoas que conheceu pelo caminho, representava um mero troféu e sinal de sucesso em uma jornada excêntrica assumida, para Annie, era a possibilidade de uma vida um pouco melhor e, aliás, a única carreira possível.


Na primeira parte da introdução há um aviso que diz que, se você tem com o vinho uma relação de prazer e deseja manter as coisas assim, deve ficar longe do livro. Talvez isso possa ser verdade para alguns, mas, falando da perspectiva de um potencial obsessivo, digo que não vejo como chegar ao fim da leitura amando menos a bebida.


  • João Gabriel

Das duas vias de chegada no distrito da Parada do Ipê, Marco só acredita em uma, a vicinal que vem da cidade pela antiga estrada boiadeira. A outra desce da rodovia estadual por um acesso que passa por duas chácaras onde a gente rica vem festejar os casamentos ou coisa do tipo. Batizados, como ele suspeitou uma vez, embora lhe escape por completo por que alugariam um desses lugares enormes para cristianizar um bebê. É nessa aí que ele não acredita. O motivo oficial usado para justificar sua descrença é o fato de que foi com esse caminho que o distrito mudou definitivamente de nome, de Parada do Ipê para distrito Delegado Luiz Araújo. Foda-se Luiz Araújo. Quem conheceu o tal delegado foi seu pai, e Marco não sabe em que circunstâncias. Talvez não nas melhores. Mas não é por isso que ele odeia o delegado, odeia-o porque ama muito e demais a Parada do Ipê. Seu avô foi quem lhe ensinou o valor dos nomes originais. Na juventude, Marco Avô tinha um pequeno pasto e negociava umas vaquinhas, isso até os dez ano de idade de Marco Neto. O avô nunca mudava o nome de suas vacas, se elas já viessem batizadas. Foi assim que seu curral se tornara o lar de Sapata, de Santa Helena e de Flávia. “Não mudo porque nome primeiro é coisa séria”, dizia. E é assim que Marco aprendeu. O local de seu nascimento e lar de toda sua vida é a Parada do Ipê.


Há outros motivos pelos quais Marco não acredita no caminho da rodovia, mas esses ele não expõe. O que não impede a gente toda de achar que a razão capital é que foi por esse caminho que seu pai foi embora, quando Marco tinha 14 anos. O garoto sem mãe – morreu de febre depois do parto – e sem avó foi desde então criado pelo Marco Avô, hoje meio alquebrado, mas bem da cabeça e esperto em quase tudo. Marco sabe que acham isso e gosta que achem isso. Porque é mentira. Seu pai não sumiu catorze anos atrás seguindo a estradinha onde ainda não existiam as chácaras das gentes ricas e nem subindo para rodovia estadual. Seu pai, só ele e o avô sabem, sumiu pela ferrovia que corta a cidade e o distrito. Ele não viu isso acontecer, mas ouviu seu pai dizendo pro avô algo assim como “Vou sumir num vagão”, “Vou subir num vagão”. Então foi isso que ele fez, deixando ao filho nada além do Chevette 1988 prateado. É com esse carro que ele se recusa a entrar na Parada do Ipê pela estadual todas as manhãs, quando volta do trabalho como vigia noturno da revendedora de caminhões na cidade. Entra pela vicinal. Demora mais, mas é uma escolha de vida, uma escolha entre a mentira e a verdade, o nome primeiro e o enganoso.


Ninguém perde muito tempo, porém, se perguntando a respeito do caminho verdadeiro, da razão de Marco preferi-lo para entrar no distrito, e usar o da rodovia só para sair. Marco sai todas as tardes para chegar ao trabalho um pouco antes do horário. Pega a rua da casa, desce pela Torre d’Água e chega na igreja de Santa Duvirge, o ponto em que faz o sinal da cruz (como fazia em menino lá dentro, quando tinha vontade de beijar os pés do Jesus, sabendo que nunca os alcançaria), atravessa a linha do trem e pega o caminho das chácaras para subir à rodovia. Entre o distrito e a cidade, na autoestrada, fica o posto de gasolina onde ele sempre abastece o Chevette. Porque é o posto do amigo Júlio. “Oi, Júlio”, “Fala, Marcos!”. Ele adora isso. Trocam algumas amenidades, falam de qualquer coisa, do tempo, das notícias, do trabalho, da vida toda ou só de uma parte dela. E então Marco segue para a revendedora. Chega lá antes de fechar e fica quase até o raiar do dia, às vezes até ficar claro.


Se alguém pudesse estar dentro de Marco voltando do trabalho pela vicinal, vendo o que ele vê e sentindo o que sente ao fechar essa órbita de rodovia e vicinal, talvez então entenderia as razões de Marco. Ele vem da cidade, passa pelos lagos, pelos bairros das gentes ricas que alugam as chácaras e chega à vicinal. Tem madrugadas que ele chega junto com o trem de carga – a ferrovia lá embaixo, ao longo da estrada –, o comboio seguindo o mesmo rumo que seu pai seguiu. E Marco o acompanha, ouvindo o apito e imaginando que vai embora também. Só imaginando. Quando a estradinha faz uma curva que deixa o trem mais longe, Marco sabe que está perto do campinho. Aqui é o mais importante. Foi lá onde ele se deu conta, um ano antes do pai ir embora, que gostava dos meninos mais do que esperariam que gostasse. Foi enquanto jogavam bola e ele sentiu uma euforia e depois tristeza, sem saber o motivo. Disse a Júlio que ia mijar lá atrás e saiu do jogo. Sentou-se à sombra do ipê e chorou um pouco. Chorou porque percebeu que não queria nunca ser chamado de outra coisa que não Marco ou Neto. E teve medo. Quando passa de Chevette pelo campinho e vê o ipê na alvorada, Marco não sente vontade de chorar. Mas sente uma euforia e depois tristeza. Passa rápido, essa última, e fica algo doce. “Tipo o amanhecer, sei lá”, Marco pensa.


Nunca lhe chamaram de outra coisa na vida que não Marco ou Neto. A não ser por duas pessoas. Tatiana, a gerente da revendedora onde trabalha, que Marco encontra ao chegar e às vezes quando sai de manhã (ela vem e vai de moto, alta e da cor da noite, o sorriso mais bonito que Marco já viu. Só não consegue dizer a cor de seus olhos, a luz do fim do dia e da manhã confundindo tudo. Devem ser da cor da noite também), e Vicente, o rapaz da cidadezinha que antes de eles dois nascerem tinha um primeiro nome e hoje tem outro. Vicente foi embora para São Paulo no ano passado. Ela o chama de Marquinho e ele o chamava de lindo.


  • F. M. Bonato

Eliane tinha apenas cinquenta e três anos quando viu Soraia ser baleada. (Nunca se é velho o suficiente para lidar com a morte.) Nascida em Duque de Caxias, Eliane viveu de forma pacata e sem holofotes. Era uma pessoa qualquer. Fez escola, se formou, fez faculdade de administração, não se formou, e seguiu a vida como vendedora de loja de roupas. Por toda sua vida esperou que algo acontecesse, algum evento, alguma obra divina que a salvasse. Um dia Eliane estava caminhando quando ouviu um disparo. Atônita, olhou para os lados, queria entender a situação. Foi quando viu Soraia. Esta, ainda de pé, percebeu Eliane se aproximando, ajoelhou-se e disse: - Amor!... E caiu no chão. Foi vítima de assalto frustrado, daqueles que o bandido não consegue o que quer e se vinga como quer. Soraia morreu no duro, virou notícia. Eliane pôs-se a chorar, sabia que sua vida continuava a mesma.


Machado não era, digamos assim, dos homens mais elegantes que poderia namorar Júlia. Mas sua feiura, chatice e falta de higiene talvez tenham sido centrais para atraí-la. Se conheceram pelo cunhado, Arthur, que tinha Machado como melhor amigo. Machado ficava dias e mais dias e noites e mais noites na casa de Arthur, e assim conheceu Júlia. Um dia, Arthur dormiu antes da hora, deixando Machado e Júlia interagirem mais do que deveriam. De um encontro aqui e outro ali, meio às escondidas, surgiu um namoro improvável. Dois anos foram necessários para tudo se acabar. Passaram por um término de namoro complicado - muito choro para lá e para cá -, mas depois de um ou dois meses, um já não mais lembrava a cara do outro.


Não foi a primeira vez que tentou se matar. No auge de seus quarenta e cinco anos, Belmiro era triste. Gastava seus dias livres empreendendo nada, e não raro bebia. Se tornara um empresário bem sucedido antes dos trinta. A vida já lhe parecia enfadonha, mesmo tentando de tudo um pouco. Estudou direito, administração, fez uma empresa, depois outra e depois mais uma. Não ficou satisfeito. Em algum momento de delírio disse que não dava, que não aguentava mais, e se atirou na frente de carros que driblaram seus movimentos. Passado alguns meses, e em meio a um pileque, forçou a barra. Queria porque queria beber mais. Entrou em coma. Sobreviveu. Também teve a vez que quis saltar da Ponte Rio-Niterói, só que desistiu de última hora. Quando então Belmiro pulou do décimo terceiro andar de seu prédio, não foi a primeira vez que tentou suicídio, mas a primeira que conseguiu.


Um simples caso de inteligência numa família brasileira pode destruí-la. Fernanda, por azar, era filha de um pai inteligente ou supostamente inteligente. Tias, cunhadas, vizinhos, cochichavam: - “É uma cabeça! Uma cabeça!”. O velho fazia uns sonetos parnasianos. Fernanda leu um deles, tremendo de beleza. Guardou dos versos uma palavra que a atropelava: - arrebol. Pois a garota não casou nunca. Viveu para o pai. Morreu antes dele, tuberculosa. Pode-se dizer que foi assassinada por uma meia dúzia de sonetos jamais publicados.